166 anos. D. Maria II elevou Guimarães a cidade a 22 de junho de 1853

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166º aniversário da elevação ao estatuto de cidade

Guimarães foi elevada a cidade no dia 22 de junho de 1853, depois de uma visita efetuada por D. Maria II, em maio de 1852, no âmbito de um conjunto de deslocações que a corte real realizou ao Norte de Portugal. 

Recebida perto do Toural, junto às "Portas da Villa", onde as importantes individualidades eram solenemente rececionadas, o então Presidente de Câmara entregou-lhe as chaves da vila e deslocou-se até à Igreja da Oliveira, percorrendo a hoje "Rua da Rainha D. Maria II", outrora denominada "Rua dos Mercadores". Esteve dois dias alojada no palacete do Conde de Arrochela, atual Vila Flor. 

A simpatia dos vimaranenses e a forma calorosa como foi recebida determinaram a elevação de Guimarães a cidade, após assinada a carta régia. Faz este sábado 166 anos.

[ Carta de D. Maria II a conceder a Guimarães o título de cidade ]

"Dona Maria, por Graça de Deos, Rainha de Portugal e dos Algarves Faço saber aos que esta Minha Carta virem que, Tendo consideração ao que pelo Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios do Reino Me foi exposto acerca da antiquissima Villa de Guimarães; Attendendo a haver ella sido o berço da Monarchia, e assento da primeira Côrte dos Reis Portuguezes, onde nasceu e foi baptizado o poderoso Dom Affonso Henriques; Attendendo que a mesma Villa desfructa a primazia de ser uma das mais populosas da provincia do Minho, e a mais florescente em diversos ramos de industria, à qual são devidas a sua opulência e prosperidade, e as suas relações commerciais dentro e fóra do Paiz; Attendendo a que a famosa Villa de Guimarães, sempre Honrada por Meus Augustos Predecessores com especiaies privilegios, possue as condições e elementos necessarios para sustentar a dignidade e cathegoria de Cidade: Por todas estas circunstancias, e Querendo Eu tambe´m dar, aos habitantes de tão nobre Povoação, um testemunho authentico do distincto Aprêço em que Tenho a sua honrada e habitual dedicação á cultura das artes e trabalhos uteis, por Mim presenceados na occasião da Minha visita ás provincias do norte: Hei por bem elevar a Villa de Guimarães à cathegoria de Cidade com a denominação de Cidade de Guimarães, e Me praz que nesta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquesas que direitamente lhe pertencerem. Pelo que Mando a todos os Tribunaes, Auctoridades, Officiaes e mais pessoas, a quem esta Minha Carta fôr mostrada, que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d'Estado dos NEgocios do Reino, e sellada com o sêllo pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por Cidade, e assim a nomeiem sem duvida ou embargo algum. Pagou de Direitos de Mercê e addicionaes cento e quarenta e sete mil quatrocentos e vinte reis, como constaou de um recibo de talão numero tres mil cento e sete passado em nove de Junho corrente na Direcção Geral de Thesouraria do Ministerio da Fazeenda, e de um conhecimento em forma numero mil quatrocentos e quatro passado em sete detse mez na Administração Geral da Casa do Moeda e Papel Sellado. E esta Carta, que será publicada no Diário do Governo, é passada em dois exemplares, um dos quaes depois de registado nos livros da Camara Municipal de Guimarães e no Governo Civil do Districto de Braga, servirá para título daquella Corporação, e o outro será depositado no Reall Archivo da Torre do Tombo. dada no Paço das Necessidades em vinte e dois de Junho mil oitocentos cincoenta e tres. 

Raynha D. M.."