Ténis. Vimaranense João Sousa ambiciona aproximar-se dos melhores do mundo

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Tenista quer defender o título conquistado no Estoril Open

O vimaranense João Sousa está prestes a celebrar o 30º aniversário e diz ambicionar jogar a um nível cada vez mais elevado e aproximar-se dos jogadores que dominam o ténis mundial nos anos que lhe restam no circuito ATP.

“Gostava de ser melhor jogador, tentar jogar melhor contra os melhores do mundo, como já o fiz muitas vezes, mas sentindo estar mais próximo do nível deles e que os posso vencer, como já aconteceu também. Acho que é a ambição de todos os jogadores, poder fazer bons resultados e evoluir. É como se fosse uma droga, sentir-se jogador, a jogar bem, competitivo... é o que mais desejo e ambiciono”, confessou, em declarações à agência Lusa.

Longe de “imaginar quantos anos lhe restam de circuito”, o vimaranense, 39.º do ‘ranking’ mundial, assegura que vai “continuar a jogar enquanto o corpo permitir, tiver vontade de competir, de estar no circuito e apreciar o estilo de vida” que tem.

“Enquanto estiver bem fisicamente, motivado e com vontade de melhorar e jogar ténis, vou continuar. Não sei se por mais dois ou quatro anos. Mas o meu objetivo é jogar por mais alguns anos”, afirmou o número um português.

Sousa saiu de casa dos pais em Guimarães aos 15 anos para apostar numa carreira profissional e, embora tenha passado metade da sua vida em Barcelona, onde reside desde então e conheceu a sua namorada há cerca de 10 anos, é em Portugal que se imagina a plantar o seu futuro.

“Sempre tive o objetivo de voltar e estar mais próximo da minha família, não sei se em Guimarães ou se em Lisboa, por exemplo, mas quero voltar para Portugal. Imagino-me casado, com filhos, dois ou três, e oxalá possa estar ligado ao ténis. Não sei se com uma Academia, se como selecionador nacional, se como treinador, mas quero manter-me ligado a esta modalidade que amo e à qual posso transmitir alguma coisa da minha aprendizagem”, projetou.

À família e a todos os que lhe são próximos João Sousa atribui grande parte do seu sucesso ao longo dos últimos anos em que tem partilhado os ‘courts’ com Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e companhia, num circuito em que já ocupou o 28.º lugar da hierarquia mundial, em maio de 2016.

“São parte fundamental. Dedicam-me muito tempo e sacrificam muito para estarem comigo, porque se não fosse assim o meu êxito não seria igual. E todos eles são conscientes do papel que têm nesse aspeto, vivem as derrotas e vitórias tal como eu. Sei que existe uma dedicação e um sacrifício enorme para que me sinta bem, querido e possa estar nas melhores condições para jogar a bom nível”, confidenciou aquele que se descreve como “uma pessoa honesta, preocupada com os outros, fiel aos seus princípios, muito competitiva, algumas vezes demasiado, e por vezes muito teimosa”.

João Sousa quer defender o título no Estoril Open

O campeão em título do Estoril Open afirmou igualmente que a sua vontade é defender o troféu conquistado há um ano, faltando apenas oficializar a sua presença na edição de 2019 do principal torneio português.

“Gostava mesmo. Estamos em negociações com a organização, mas em princípio vou jogar. O meu objetivo é jogar em Portugal e poder jogar o Millennium Estoril Open, que é sempre especial para mim. E tudo indica que vou voltar. Se depender da minha vontade é aquele torneio que nunca vou falhar, embora existam outras variantes que possam influenciar”, explicou.

Em 06 de maio de 2018, no Clube de Ténis do Estoril, Sousa conquistava o terceiro título ATP da carreira, depois de Kuala Lumpur em 2013 e Valência em 2015, e fazia história ao tornar-se no primeiro tenista português a vencer a única prova do circuito ATP que decorre em território nacional.

“Vencer o Millennium Estoril Open era um objetivo de criança e não um objetivo de uma época. Todos os torneios que disputo quero ganhar, competir e vencer, mas a verdade é que aquela foi uma semana incrível. Joguei a um nível altíssimo e acabou por ser uma semana muito especial para mim, para minha família, para todos os que me seguem e para o ténis português”, frisou aquele que tinha apenas um ano quando o Estoril Open nasceu no Jamor, em Oeiras.

Apesar de ter realizado um sonho de infância há um ano, João Sousa não tem previsto nada de especial para o próximo 05 de maio, dia da final do Estoril Open. “A não ser que vença outra vez. Isso seria ótimo e haveria uma festa condizente com o feito”, afirmou.

O vimaranense, 39º colocado do «ranking» ATP, garante não viver do passado e, por isso, nunca se perdeu em pensamentos a reviver os momentos de glória vividos no pó de tijolo do CT Estoril.

“Sou de viver muito o presente e penso bastante mais no futuro. Desde que venci nunca tive esse ‘throwback’, como dizem os ingleses. Mostraram-me uma vez umas imagens da final e não digo que tenha ficado emocionado, mas fiquei arrepiado de ver um momento tão bonito para mim e todas as pessoas que estavam lá presentes”, confessou o pupilo de Frederico Marques.