Centro Internacional das Artes José de Guimarães acolhe exposições até este domingo

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«When Science Fiction was dead» e «Duplo Negativo»

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) acolhe até este domingo duas exposições individuais – «When Science Fiction was dead», de Christian Andersson, e «Duplo Negativo», de Miguel Leal – que propõem pensar o museu como uma grande máquina de viajar no tempo e de atravessar o espaço, que produz verdade e ficção, expõe significados ocultos e induz o visitante a uma nova perceção da realidade mantendo com esta uma relação criativa e inventiva. 

A exposição «When Science Fiction was dead», de Christian Andersson, surge num contexto em que a noção de verdade está mais do que nunca em crise. A exposição individual do artista sueco, que ocupa as salas 9, 10 e 11 do CIAJG, reúne obras marcantes e outras inéditas, concebidas e produzidas especificamente para esta exposição, e oferecerá ao público português o mais extenso panorama alguma vez disponível no nosso país da obra de um autor que se interessa sobretudo pelas condições objetivas e subjetivas, espirituais e materiais de leitura e descodificação da proposta artística.

Concebida em estreito diálogo com o programa museológico do Centro, a ampla intervenção de Christian Andersson (Estocolmo, 1973) reúne um conjunto de peças icônicas e incontornáveis da produção do artista — como são, por exemplo, «Scanner» e «From Lucy with Love», instaladas em duas das salas mais simbólicas do percurso expositivo, as salas 2 e 3 do piso que alberga a coleção permanente — e de peças inéditas, especificamente produzidas para esta exposição.

A intervenção não é apenas ditada por conveniência de espaço mas por razões simbólicas — oexposi artista pensou o espaço como um todo, estabelecendo um conjunto de relações, colocando um série de problemas ou de hipóteses, problematizando a ideia de museu ou de exposição, de coleção como todo ou como representação fragmentária do mundo, da falibilidade de sistemas de pensamento e de sondagem documental ou material do passado de disciplinas como a História ou a Arqueologia.

A mostra «Duplo Negativo», que habita as salas 12 e 13, é a mais ampla exposição realizada por Miguel Leal (Porto, 1967) em contexto institucional. Nesta intervenção, especificamente concebida para o espaço expositivo do CIAJG, o autor põe em evidência algumas das principais caraterísticas do seu trabalho — sensibilidade ao espaço e ao tempo, atenção à construção do dispositivo e às condições de apresentação e uma capacidade discursiva marcada pelo engenho narrativo. Para esta  exposição, concebeu um conjunto inédito de peças que cobrem um largo espetro de linguagens (objetos, escultura, instalação, desenho, pintura, vídeo) que, a partir de uma particular atenção aos mecanismos do tempo e da articulação da palavra, da imagem e do som propõem uma experiência da dissolução dos limites e das fronteiras territoriais e conceptuais. Mas, para além das diferentes peças, sobressai a escala arquitetónica da intervenção e a forma como transformou o espaço, desafiando o espetador a uma experiência tanto sensorial quanto intelectual, propondo diferentes modos de receção, abrindo o leque percetivo de quem o habita.

Miguel Leal é, dos artistas da sua geração, aquele cujo universo de referências e o trabalho são menos conhecidos como um todo, o que contrasta com a solidez e a imprevisibilidade das soluções formais e concetuais que engendra a cada passo. Esta exposição antológica tem, assim, por objetivo revisitar e repensar o trabalho de Miguel Leal como um constructo em que a produção intelectual, curatorial e visual se articulam como um todo simultaneamente complexo e profundo.

[ Artigo originalmente publicado no dia 08.06.2018 e atualizado este domingo, 10.06.2018 ]