Chamas mal apagadas provocam 20% dos fogos em Portugal

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Entre 25 países europeus, dois do Norte de África e um do Médio Oriente, apenas Portugal aponta os reacendimentos como uma das principais causas dos seus incêndios florestais. De acordo com o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC), os fogos mal apagados por cá estiveram na origem de 20% de incêndios, em 2016 - último ano em que Lisboa enviou dados atualizados e fechados para as instâncias europeias.

Desde os anos de 1990 que este cenário é conhecido pelas autoridades, dizem os especialistas em incêndios florestais, que apontam como um dos principais motivos para os reacendimentos a falta de formação de quem combate os fogos em Portugal, a forma como o têm estado a fazer e os materiais usados no terreno. Apesar da dimensão do problema, a estratégia do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para 2018, não contempla uma única linha sobre esta temática.

No último relatório da JRC - Fogos Florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África, dos países analisados, Portugal é o que o mais incêndios florestais reportou, em 2016: 13261. Até aqui nada de novo, à exceção de que a Rússia, com uma área 185 vezes maior, teve menos três mil fogos no mesmo período. Mas Lisboa destaca-se por ser a única capital a indicar que um número considerável dos seus incêndios teve origem em reacendimentos; mais nenhum outro país o faz, mesmo que no passado tenha existido países a reportar também casos.