Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura acolhe duas exposições até este fim de semana

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«De Natureza (A)Diversa» e «Alqueva»

«De Natureza (A)Diversa», da pintora Analice Campos,  e «Alqueva», dos arquitetos Rita Catarino e Paulo Palma, são as duas exposições que estão patentes no Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (CAAA) até este fim de semana, dias 22 e 23 de abril.

O projeto «De Natureza (A)Diversa», de Analice Campos, equaciona o lugar da paisagem, um dos antigos géneros da história da pintura, no contexto da produção artística contemporânea, nomeadamente no âmbito da pintura e do desenho. 

A recorrência à história da pintura, por intermédio da paisagem, não propriamente como reativação de um género ou como um posicionamento revivalista, serve apenas como ponto de partida para uma estratégia que pretende explorar as possibilidades de criação de imagens como simulacros da pintura tradicional de paisagem. 

Desenvolvem-se, assim, pinturas/desenhos com um caráter fragmentado e sem continuidade interna, que têm como referente imagens memorizadas e são o resultado de uma construção em que há uma clara consciência da potencialidade das ações/gestos, e do imprevisto, na construção/desconstrução da imagem de paisagem.

«Alqueva»

O Alqueva é a maior transformação do território Português num tão curto espaço de tempo. É exemplo maior da idade do Antropoceno em Portugal. São 250 km² de território ao longo do rio Guadiana submersos, que para além de constituírem uma profunda alteração na identidade da paisagem Alentejana, operaram um novo paradigma agrícola, apenas possível pela presençade água numa paisagem anteriormente árida.

Este trabalho de Rita Catarino e Paulo Palma, tem como intuito originário, revisitar um território que já não existe, que já não está visível, mas que pela herança que deixou e pela cultura que foi construtor, continua presente na memória coletiva. 

As imagens e cartografia, apresentadas são apenas contributos que revêm e reavivam, trazem para a superfície uma realidade que é atualmente impossível de restituir. É um jogo entre a ausência física e invisível de um território e um novo olhar que apenas o tenta resgatar, ou retirar metaforicamente da submersão que lhe foi imposto.

A partir da realidade pré existente no momento da construção da barragem, das caraterísticas físicas, ecológicas e culturais que afirmavam o território, este trabalho pretende ser uma reflexão sobre a importância da memória na construção da Paisagem. Que Paisagem existe depois do desaparecimento de um lugar?

[ Artigo originalmente publicado no dia 23.02.2017 e atualizado este sábado, 22.04.2017 ]