Em 2035 serão 64 mil os doentes oncológicos no nosso país

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Em 2015, Portugal registou 50 mil casos de cancro. E, segundo a Organização Mundial de Saúde, a incidência vai aumentar. Em 2035 serão 64 mil os doentes oncológicos no país.

A doença está perto de se tornar a primeira causa de morte e incapacidade na Europa. Perante o aumento de casos de cancro, a ciência respondeu com avanços notáveis nos tratamentos oncológicos, permitindo que os doentes vivam mais tempo e com melhor qualidade de vida. Progressivamente, a doença caminha para uma condição crónica.

Apesar desta conquista, segundo a OCDE, Portugal é um dos países que menos investem em medicamentos. E no caso da oncologia enfrentamos a amarga realidade divulgada pelo Instituto Sueco para a Economia da Saúde (HEI).

O relatório de junho deste ano, refere que na Europa foram investidos em média 169 euros per capita em medicamentos oncológicos. Lamentavelmente, em Portugal o investimento não chegou a metade - 76 euros, valor que nos remete para junto dos quatro piores classificados de um conjunto de 31 países analisados.

O esforço é também desigual face ao peso crescente da patologia oncológica no cômputo geral. Representa 14% da carga da doença em Portugal - o cancro é responsável por 25% das mortes - mas apenas 7% da despesa em fármacos.

Apesar destas terapêuticas representarem um investimento ínfimo do custo total da patologia, muitos doentes continuam a esperar demasiado tempo para acederem a medicamentos inovadores. Quase aos quatro anos em Portugal, quando na Holanda a espera não ultrapassa os cinco meses, segundo a Europe Economics.

Os novos medicamentos não são apenas mais eficazes, são também mais dirigidos, o que permite aliviar os efeitos secundários dos tratamentos. E, todos sabemos, melhores tratamentos garantem melhores resultados, não só no tratamento e gestão da doença mas também a nível económico e social ao promoverem uma sociedade mais ativa e saudável.

Um investimento adequado em saúde é um requisito essencial para vencer o cancro. O HEI sustenta isso mesmo, ao evidenciar a forte correlação entre o investimento per capita no combate ao cancro e as taxas de sobrevivência.

É, portanto, inevitável ajustar as decisões de financiamento e de acesso às reais necessidades da área oncológica. A conjuntura económica não pode limitar o dever de garantir o acesso dos portugueses aos cuidados de saúde em linha com os melhores padrões europeus.