Psicólogos querem iniciar ações preventivas nos grandes incêndios

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As Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) pretendem iniciar este verão ações de prevenção junto dos bombeiros que estão a combater os grandes incêndios florestais.

"Este verão vamos procurar implementar uma medida preventiva nos grandes incêndios florestais", avançou à agência Lusa o responsável pela Divisão de Segurança, Saúde e Estatuto Social da ANPC, Rui Ângelo.

Estas equipas, constituídas por bombeiros voluntários que simultaneamente são psicólogos e assistentes sociais, geralmente atuam em casos de emergência, mas querem passar a agir também preventivamente.

Nesse sentido, segundo Rui Ângelo, é objetivo da ANPC que as EAPS se desloquem, no próximo verão, às bases logísticas (locais de descanso e refeição durante os fogos) para apoiarem os bombeiros que combatem incêndios de grandes dimensões.

"Vamos preventivamente aos grandes incêndios florestais, não esperamos que aconteça algum acidente", disse, ressalvando que este trabalho não vai chegar a todos os operacionais envolvidos num fogo de grande dimensão.

"Uma equipa de bombeiros que esteja muito exausta física ou psicologicamente e, se continuar em combate, aumenta a probabilidade de vir a ter um acidente. Por isso vamos procurar, neste verão, fazer este trabalho preventivo", sustentou.

Criadas em 2011, as EAPS prestam apoio social e psicológico aos bombeiros expostos a acidentes ou incidentes potencialmente traumáticos, bem como aos seus familiares.

Rui Ângelo defendeu que é necessário que estas equipas tenham psicólogos a tempo inteiro, tal como acontece atualmente nos bombeiros voluntários que têm assalariados para dar uma resposta imediata de socorro.

"O que me parece é que no futuro devemos ter uma equipa profissional reduzida que trabalhe a nível preventivo e, em situações de grandes incêndios florestais, garante a primeira resposta que depois seja complementada com os psicológicos voluntários", sustentou.

Segundo o mesmo responsável, a resposta de âmbito preventivo consiste na deslocação de psicólogos aos corpos de bombeiros mais expostos a incêndios florestais e ajudá-los a gerir melhorar as situações de stress.

No entanto, considerou que uma resposta preventiva "é difícil conciliar com um regime de voluntariado", porque os psicólogos que pertencem às EPAS têm os seus empregos e só conseguem ser dispensados em caso de emergência.