Jovens estão a beber menos e isso pode ter a ver com crise

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Inquérito a 18 mil alunos entre os 13 e os 18 anos mostra que os consumos de álcool, tabaco e drogas estão em queda em todos os grupos etários, à exceção dos 18.

Ainda não existem dados suficientes para sustentar que existe uma relação direta de causa e efeito, mas a crise dos últimos anos poderá ter contribuído para a redução dos consumos de álcool, drogas e tabaco entre os jovens portugueses. A boa notícia foi transmitida nesta quinta-feira pela investigadora do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), Fernanda Feijão, responsável pela análise que, de quatro em quatro anos, se faz quanto ao estado dos comportamentos aditivos dos alunos entre os 13 e os 18 anos.

“Os consumos de todas as substâncias estão a descer, por comparação a 2011, em todos os grupos etários avaliados, à exceção dos 18 anos”, frisou. O facto de as famílias terem menos dinheiro “terá tido influência” neste panorama, admitiu Fernanda Feijão aos jornalistas, frisando contudo que são ainda precisos mais dados para se perceber quais os efeitos reais da crise nesta redução, o que poderá já acontecer em Setembro quando forem divulgados os dados relativos às dependências dos jovens de outros 39 países europeus e assim aferir tendências, acrescentou.

Os resultados do último Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e Outros Comportamentos Aditivos e Dependência (ECATAD_CAD) dão conta que existem, mesmo assim, 41,2% de jovens que são consumidores habituais de álcool, 19% de tabaco e 7,6% de drogas. Estes são os alunos que responderam ter consumido nos últimos 30 dias antes dos inquéritos realizados pelo SICAD em Maio de 2015, o indicador que permite avaliar melhor os que podem ser entendidos como consumidores habituais.

Em 2011 não foram apresentados dados globais, mas por grupo etário constata-se que, aos 13 anos, os jovens que afirmam ter bebido nos 30 últimos dias antes do inquérito passou de 13% para 9,5%, aos 14 a variação foi de 25,23 para 18,4%, aos 15 de 40% para 30,9%, aos 16 de 54% para 43,2%, aos 17 de 61% para 57,2% e aos 18 passou de 70,3% para 67,5%.