Intervalos razoáveis entre as refeições, boa hidratação e café podem ajudar nos estudos

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Intervalos razoáveis entre as refeições, boa hidratação e café são algumas das recomendações de Nuno Borges, membro da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas, aos estudantes que se preparam para fazer exames nacionais.

A alimentação é importante, mas não é disso que vai depender o sucesso ou o insucesso do exame. Pode dar algum contributo. Se a pessoa originalmente comer muito mal, fora de horas, coisas que não deve, eventualmente sim. Se já faz uma alimentação normal, com intervalos razoáveis, hidratando-se bem, não há nenhum nutriente milagroso que ponha as pessoas mais espertas, a reter mais informação, ou com mais capacidade de concentração. Não há nenhuma demonstração disso.

A cafeína, que está em algumas bebidas como chá e café, tem um efeito estimulante do sistema nervoso central. Isso sim. Se fosse para um exame, tomava um café antes. Podemos incluir na alimentação, mas não é propriamente uma questão nutricional.

A questão da hidratação é importante, porque às vezes é negligenciada e pode ter algum, embora sempre pequeno, impacto.

Devem evitar refeições muito pesadas, com muita gordura, que levem a pessoa a ficar com uma certa sonolência. Isso implica organização do próprio dia de estudo, meter aí a questão alimentar. E, obviamente, não estar a estudar e a comer bolachas e snacks ao mesmo tempo. Não estou a dizer que isto prejudica o rendimento intelectual, mas prejudica a pessoa, que acaba a época de exames com mais quilos e menos saudável.

Não há nenhum suplemento com prova de eficácia, excetuando a questão da cafeína, que não é suplemento. Fora isso, não há nenhum. Ressalvo, no entanto, as situações em que a pessoa tem uma carência nutricional. Se tiver uma anemia por carência de ferro, tem o rendimento intelectual prejudicado. Isso é indiscutível, pelo que, se tomar um suplemento de ferro, vai ficar melhor. Não há dúvida, mas isso não justifica o uso indiscriminado de suplementos. Só se justifica em situações pontuais, de doença.

O exercício físico, tal como o sono, é muito importante, porque tem um efeito calmante, de melhoria circulatória geral e da própria performance cognitiva. Isso parece indiscutível.

Há alguns estudos que indicam que a mastigação pode favorecer de alguma forma a atividade central, mas não são coisas tremendamente consistentes. Mal não fará, não tem prejuízo nenhum.