O cérebro dos futebolistas pode perder capacidades até à demência

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Um estudo publicado nesta quarta-feira na Acta Neuropathologica, revista científica dedicada à patologia e à patogénese de doenças neurológicas, estabelece uma relação entre o “sucessivos impactos na cabeça no passado” dos futebolistas e aquele tipo de doenças. Os jogadores podem vir a sofrer de demência muitos anos após terem terminado as suas carreiras.

O estudo foi conduzido no Reino Unido pelo Instituto de Neurologia da University College de Londres (UCL) e tinha como objetivo ver até que ponto é que a prática de futebol, que envolve cabecear bolas e choques com outros jogadores, influencia o desenvolvimento de doenças cerebrais. A coordenadora do estudo, Helen Ling, sublinha a importância destas iniciativas, uma vez que existe “uma necessidade premente e identificar o risco, e apelou à cooperação da Federação Inglesa de Futebol (FA) e da FIFA”, cita a agência Lusa.

Entre 1980 e 2010, o Serviço de Geriatria Psiquiátrica, em Swansea, verificou a existência de 16 casos de jogadores de futebol reformados que estavam a perder capacidades cognitivas – e aconselhou que fossem todos submetidos a vigilância médica até à sua morte. No entanto, os parentes dos atletas em causa só permitiram que 14 servissem de amostra ao estudo: 13 foram futebolistas profissionais e um amador, que praticaram este desporto durante 26 anos (em média). O seu historial médico e o seu historial de carreira foram recolhidos.

Dos 14 casos submetidos a análise, seis foram sujeitos a um exame post mortem ao cérebro e, após um exame neuropatológico, verificou-se que apresentavam anormalidades no septo pelúcido, estrutura que se encontra no sistema nervoso central. Dos seis exames post mortem realizados, quatro casos apontaram para a existência de encefalopatia traumática crónica (CTE, na sigla em inglês), uma potencial causa neurodegenerativa, segundo o estudo, de demência e deterioramento de capacidades motoras.