Assédio a mulheres no trabalho diminuiu de 34% para 14% em 25 anos

  • Publicado em Atualidade

A proporção de mulheres que admite ter sido vítima de assédio no local de trabalho diminuiu, em 25 anos, de 34% para cerca de 14%, tendo hoje maior capacidade de reação, muitas vezes através do confronto direto.

Os dados constam do estudo “Assédio Sexual e Moral no Local de Trabalho em Portugal”, desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), e da responsabilidade da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).

Os dados preliminares, divulgados em junho do ano passado, revelaram que mais de 1,5 milhões de pessoas já foram vítimas de assédio moral ou sexual no emprego, entre mais de 850 mil assediadas moralmente no emprego e cerca de 650 mil vítimas de assédio sexual, sendo as mulheres as principais vítimas e os chefes os principais abusadores.

Este estudo vem atualizar os dados recolhidos em 1989, noutro trabalho científico, sobre o assédio sexual no local de trabalho sobre as mulheres, bem como caracterizar o assédio moral e o assédio sexual no local de trabalho sobre homens e mulheres.

Comparando os dados de 1989 com os de 2015, é possível constatar “grandes transformações” na sociedade portuguesa, nomeadamente “na forma como as mulheres passaram a conhecer os seus direitos”, o que trouxe maior clareza na identificação de situações de assédio sexual e maior capacidade de reação.

Verifica-se também uma diminuição da frequência com que as mulheres são vítimas de assédio sexual e se em 1989 os dados mostravam uma proporção de 34%, esse número diminuiu para 14% em 2015.

Em 1989, “os comentários ordinários à maneira de vestir ou à beleza física eram identificados como formas de assédio sexual por cerca de um terço das mulheres. Mas 25 anos depois, em 2015, 65,8% das mulheres identificam as piadas e os comentários acerca do seu aspeto como forma de assédio sexual e 84,2% percebe os comentários de natureza sexual como uma prática de assédio”, lê-se no estudo.